Nas recentes semanas fui privilegiado com o convite para participar em vários eventos,  presenciais ou via plataformas digitais. O tema proposto, e sobre o qual tenho partilhado as minhas reflexões, tem andado à volta dos efeitos que a Pandemia gerou na organização do trabalho das empresas e como as lideranças deverão actuar.

A Pandemia foi um período de transformação digital acelerada, às vezes involuntária e imposta pelas limitações sanitárias, que permitiu testar toda uma nova abordagem à organização do trabalho e aos processos de negócio. Fruto destas experiências, criaram-se verdadeiras disrupções em relação aos modus operandi clássicos, às formas de controlo do negócio e de como o trabalho era prestado. A consciência do desajuste entre a velha organização do trabalho, desestruturada com toda uma nova geração de ferramentas digitais, e as novas expectativas que a experiência foi gerando nos colaboradores passou a ser cada vez mais visível.

Nos Estados Unidos surgiu um primeiro alerta, detectando-se o fenómeno apelidado de The Great Resignation – ao longo de 2021 cerca de 20 milhões de americanos demitiram-se voluntariamente dos seus postos de trabalho. Tentou-se perceber as motivações, com o estudo promovido pela Oracle e pela Workplace Intelligence a ser pioneiro (1).

O estudo apontou para indicadores alarmantes quanto ao estado de espírito da força de trabalho – entre 8 a 9 trabalhadores em 10 reclamavam não estar satisfeitos com a sua empresa e ou posto de trabalho, sobretudo por falta de utilização do seu feed-back para a mudança e adaptação às novas facilidades tecnológicas disponibilizadas.

É necessário estudar localmente estes fenómenos, entendê-los e definir planos de acção que permitam que os resultados das empresas e a felicidade dos seus colaboradores possam atingir os padrões mais elevados. Com essa consciência, a Kept People (2) arrancou com um estudo – cujo título é precisamente “Trabalho no Pós-Pandemia: pistas de acção para um futuro melhor” – que visa proporcionar ao mercado de trabalho em Angola uma visão clara, bem suportada científica e tecnicamente, e que venha a permitir aos responsáveis de capital humano angolanos saber agir de forma efectiva sobre estes desafios. Precisamos, para isso, do apoio de todos vós!

José Carlos Lourenço

Associate Partner da Kept People

Luanda, 9 de Maio de 2022

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