Num sistema perfeito, as Universidades e os Centros de Formação Profissional colocariam no mercado de trabalho todos os recursos de que as empresas precisam.


Num sistema perfeito, as Universidades e os Centros de Formação Profissional colocariam no mercado de trabalho os recursos mais adequados às necessidades das empresas mas, infelizmente, não é isso que acontece. Continuamos a constatar que as Universidades promovem cursos desajustados das necessidades do mercado de trabalho, colocando recém-licenciados directamente no desemprego. Verificamos ainda que o esforço dos Centros de Formação Profissional na preparação de profissionais qualificados se concentra num número muito reduzido de profissões, deixando em aberto muitas outras que teriam colocação imediata no mercado de trabalho.

Angola tem escassez de recursos humanos qualificados, e é crucial que todas as pessoas colocadas no mercado de trabalho tenham entrada directa nas empresas que delas necessitam. Isso só é possível se houver uma harmonia perfeita entre a Escola – que prepara, as Empresas – que empregam, e o INEFOP – que requalifica.


As empresas necessitam de recursos qualificados e competentes e essa qualificação só pode ser obtida por duas vias: Educação ou Formação Profissional. Qualquer sistema onde estes dois elementos não comuniquem e não interajam com o tecido empresarial, está a desperdiçar energia, tempo e dinheiro.

Como transformar então este complexo sistema, num triângulo harmonioso?

Muitas vezes a solução dos problemas está na forma como vemos as organizações. Imagine, por hipótese, que o INEFOP – Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional se chamava IFOPE – Instituto de Formação para o Emprego. Ao invés de uma organização que trata do emprego e da formação profissional, normalmente em
separado, passaríamos a pensar numa organização que formasse pessoas com o objectivo
de as empregar.

Por outro lado, as empresas têm a responsabilidade de encontrar os recursos de que necessitam nos organismos onde elas poderão ser preparadas.

As empresas que querem investir em recursos jovens, com alguma formação académica, mas sem experiência profissional, vão recrutar estes recursos directamente às Universidades. As empresas que precisam de técnicos especializados devem procurá-los nos Centros de Formação Profissional.

As Universidades podem promover a interacção com as empresas, quer através das suas estruturas directivas, quer através das associações de estudantes. Os Centros de Formação profissional podem promover esta interacção abrindo-se às empresas. Regra geral, quer as Universidades quer os Centros de Formação estão disponíveis para interagir com as empresas, dado que estas são o garante de que os seus objectivos de colocação de pessoas no mercado de trabalho são atingidos.

No pressuposto de que esta interacção é, não só desejável como necessária, o que falta então para se harmonizar este triângulo? A solução passa seguramente pela criação de um Plano Estratégico para o Pleno Emprego que promova a interacção entre estes três agentes.

José Carvalho
Managing Partner da Okwin

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *