Começa a sentir-se cansado de tantas reuniões de trabalho pelo Meet, Zoom ou Teams? Como gestores de pessoas temos que estar sempre atentos aos sintomas dos nossos colaboradores, e aos nossos, claro. Se à resposta à pergunta acima disse um claro “SIM!” então chega o momento de se desligar, respirar fundo, procurar de novo o equilibro interior, e adotar novas rotinas e formas de trabalhar com atenção ao impacto da utilização destas novas ferramentas online.

De facto, a raiz da actual pandemia mundial, os psicólogos estão cada vez mais atentos aos efeitos dessa mudança de hábitos de milhões de trabalhadores de todo o mundo, com múltiplos artigos em revistas científicas e meios. Entre eles, recentemente o Laboratório de Interação Humana da Universidade de Stanford baptizou o fenômeno de “fadiga do zoom” para os casos dos sintomas de fadiga para funcionários com muitos encontros de trabalho online por dia. O estudo alerta que estar atento à tela do computador com um mosaico de rostos com os quais interagimos de forma directa, sentados numa cadeira sem poder mexer, e com dificuldades de interpretar a linguagem não verbal (e até verbal se a net estiver fraca), com a nossa imagem exposta ao escrutínio dos restantes participantes, e à nossa própria autoavaliação na tela, gera estresse adicional.

Os autores do artigo, comparam esta situação a, por exemplo, estar num elevador e ter gente muito perto ou que olha directamente para o outro, aonde a diferença duma chamada ao telefone ou uma reunião presencial numa sala de encontros, aonde podemos desviar o olhar por tempos e tomar “pequenos descansos sociais”. Ainda, para agravar mais a coisa, temos mais a nossa própria imagem a olhar para nós mesmos dentro do mosaico de imagens na tela, que é semelhante a ter um assistente seguindo-nos a jornada laboral de oito horas carregando um espelho no qual vemos os nossos rostos enquanto trabalhamos

O esforço de comunicação também é maior quando comparado ao exigido para uma chamada telefônica. Está comprovado que as pessoas falam em média 15% mais tempo por videoconferência que num encontro presencial, aonde a falta de proximidade física é compensada pelo exagero da linguagem não verbal com movimentos da cabeça, por acenos de cabeça, ou olhando para a câmera. Além disso, é mais difícil interpretar os olhares e sinais do outro do que pessoalmente, o que gera um esforço extra para decifrá-los.

Outro incômodo destacado é que nem sempre os funcionários que trabalham em teletrabalho percebem que a videoconferência é uma forma de comunicação estática que, ao contrário das conversas telefônicas ou presenciais, não permite andar ao mesmo tempo, tornando-a menos natural e forçada.

Ainda, neste artigo e resumo de informações acima, foi feito por psicólogos com foco na saúde mental, e não com foco no mundo organizacional e nas vantagens destas novas ferramentas: poder criar equipas globais, maior facilidade na partilha de documentos, formato mais ecológico, e aumento da transparência. Mas falando com colegas e parceiros vejo no dia a dia alguns casos extremos, em que alguns mantém entre seis a nove reuniões de trabalho online por dia a partir de casa, e isso é já um uso abusivo da ferramenta que merece certo autocontrolo e avaliação de como nos sentimos.

Aproveito então, para finalizar deixando aqui algumas dicas para poder baixar as defesas e “relaxar” mais durante o dia de trabalho cheio de videoconferências, das quais certamente não vamos poder escapar neste “novo normal”:

  • Alterar as configurações para não nos ver a nós próprios, para evitar a autoavaliação constante.
  • Usar um teclado externo mesmo com laptop para aumentar a distância com a tela.
  • Reduzir o tamanho da janela da ferramenta Zoom/Meet/Teams/… no monitor.
  • Desligar a câmera periodicamente se não estiver intervindo e mover-se pela sala.
  • Depois de muitas ligações consecutivas, afastar-se do computador.

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