O impacto de altamente improvável
Bruno Sousa, Fevereiro de 2022.

Antes da descoberta da Austrália, as pessoas estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos. Havia uma convicção de tal forma enraizada que parecia absolutamente confirmada por provas empíricas. O avistamento dos primeiros cisnes negros constituiu uma interessante surpresa para os ornitólogos (e demais interessados na coloração das aves). Entretanto a relevância da história reside no facto de que, o nosso aprendizado é bastante limitado e frágil pelo simples facto de nos basearmos em observações. Bastou apena uma única observação da ave negra para invalidar uma afirmação geral cuja origem baseou-se em séculos de avistamentos de milhões de cisnes brancos.


Transportando o problema de cariz lógico-filosófico para uma realidade empírica, aquilo que chamamos de Cisne Negro é um acontecimento que reúne três atributos:
Primeiro: é atípico, encontra-se fora das nossas expectativas normais, porque nada que tenha ocorrido no passado pode apontar, de forma credível, para esta possibilidade;
Segundo: Reveste-se de um enorme impacto;
Terceiro: Apesar do seu carácter desgarrado, a natureza humana faz com que construamos explicações para a sua ocorrência depois de o facto ter lugar, tornando-o compreensível e previsível.
Por exemplo: O incrível êxito do Youtube e os atentados de 11 de Setembro.
E por que razão não temos consciência do fenómeno dos cisnes negros antes da sua ocorrência? Parte da resposta segundo Taleb, reside no facto de os seres humanos estarem absolutamente programados para aprender coisas especificas quando pelo contrário, deveriam concentrar-se em generalidades. Somos, portanto, incapazes de avaliar
verdadeiramente as oportunidades, demasiado vulneráveis ao impulso de simplificar, narrar e classificar, para além de não sermos suficientemente abertos para recompensarmos aqueles que conseguem imaginar o impossível.

O monstro neste livro não é apenas a curva em forma de sino e o estatístico que se auto-ilude, nem o académico submetido à Platonicidade que necessita de teorias para se enganar a si próprio. O monstro é o impulso para nos “centrarmos” naquilo que para nós faz sentido. Para viver no nosso planeta actualmente precisamos de muito mais imaginação que aquela que estamos preparados para ter. Falta-nos imaginação e reprimimos a imaginação dos outros.

Nassim Nicholas Taleb é matemático, escritor, filósofo e investidor, dedicou a sua vida ao estudo aprofundado de questões de sorte, incerteza, probabilidade e conhecimento. De origem libanesa, actualmente reside nos EUA, fluente em vários idiomas, Taleb tem formação diversificada e possui PhD pela universidade de Paris é actualmente Dean´s Professor de Ciências da Incerteza na Universidade de Massachusetts, em Amherst. Entre seus principais livros, destacam-se “A Lógica do Cisne Negro” e “Arriscando a própria pele.”

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