Nós os Líderes desta maravilhosa Lusofonia, desde cedo, percebemos que temos marcas absolutamente comuns que advém desta incrível língua portuguesa, cultura de proximidade e calorosa e, sobretudo, sabemos bem que “a melhor maneira de viajar é SENTIR” (Fernando Pessoa)

Porém, importa ir um pouquinho a fundo e entender o que tem evoluído nestes contextos de liderança nas nossas organizações, e sobretudo quais os estádios de desenvolvimento que temos “sentido” nestes últimos tempos…

Ora, recuando um pouco, com os fenómenos de Globalização, bem antes da pandemia, os Líderes precisavam de pensar Global mas sempre com uma necessidade crescente de contextualizar e adaptar o seu mundo global ao seu contexto local. Esta foi uma fase em que as lideranças assumiram-se globais, polivalentes, “multi-tudo” e à prova dos vários fusos horários, das diversas culturas, derivações e segmentações geracionais, transnacionalidades, entre outros factores assumidamente globalizadores e globalizantes.

Era, então, o reinado da verdadeira Liderança Global nas empresas e organizações…

Porém, com o início de uma certa “decadência” da globalização em estado puro, por via dos vários processos e fenómenos políticos, sociais e económicos (curiosamente!) à escala global… e este processo foi, apesar de tudo, menos sentido no mundo lusófono, a liderança passou por outra fase que poderíamos designar por “estádio de Horizontalidade na Liderança”.

Tratou-se, afinal, de um momento transversal em que as estruturas organizacionais tornaram-se cada vez mais “achatadas”, prevalecendo o isolamento das mesmas e o regime matricial imposto nas suas diversas vertentes. Esta fase veio exigir uma maior colaboração entre as várias lideranças (agora mais reduzidas…) e, desta forma, potenciou o florescimento de uma nova competência das lideranças que passou a ser critica neste processo: a capacidade de estabelecer novos relacionamentos entre os vários gestores. Networking e colaboração passaram a ser mais do que competências, mas duas assumidas “palavras de ordem” e os lideres lá foram capazes de, além de continuarem a ser Líderes Globais, também passarem a ser Lideres Empreendedores e capazes de fazer acontecer.

Esta fase pode ser caracterizada por uma Liderança Empreendedora!

Ora, quando julgávamos que já bastava a conjugação deste dupla vertente –uma Liderança Global mais uma Liderança Empreendedora – eis que nos “caí em cima” uma pandemia que arrastou consigo um sem número de novos desafios para as lideranças…

Já todos sabemos da mudança do VUCA para o BANI! Já todos sabemos da emergência de novas lideranças digitais… Mas, todos vivemos realmente o upgrading que o processo da liderança veio a exigir na nossa vida corporativa.

Eis que um ambiente altamente turbulento nas vertentes sociais, politicas e económicas, associadas à necessidade de gerir novos ambientes híbridos e de fusão entre o pessoal e o profissional, e Pessoas profundamente imbuídas de novas necessidades de vivenciar, sentir, desejar e quer nas organizações, acaba de acrescentar mais um “ingrediente” à fórmula de sucesso da Liderança –  estamos agora a falar de uma Liderança Humanizada!

A grande questão é que todas as fases ou etapas anteriores são cumulativas. Ou seja, HOJE é essencial a adoção de um estilo de liderança corporativa que inclua a Liderança Global, a Liderança Empreendedora e a Liderança Humanizada.

Este “3 em 1” de Liderança é absolutamente vital para as lideranças poderem enfrentar os desafios deste mundo marcadamente Frágil, surpreendentemente Ansioso,  assustadoramente Não Linear e inacreditavelmente Incompreensível… É a nova realidade BANI que nos bateu à porta e parece que veio para ficar…

Nós os Lideres Lusófonos sempre soubemos ir adaptando a nossa actuação às necessidades de cada momento e sempre estivemos à altura dos desafios pois sabemos, como ninguém, usar a emoção em cada palavra, em cada gesto e o SENTIR e o sentimento como “armas poderosas” para envolver as nossas Pessoas.

Por ultimo, as capacidades de resiliência, adaptação e flexibilidade dos lideres lusófonos são em tamanho GIGANTE. Até porque como escreveu um dos meus autores angolanos favoritos, Pepetela, “num universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não, para quem quer ouvir sim é significa sim para quem espera ouvir não”.

Sejamos Líderes 3 em 1 !

Pedro Ramos

Presidente da APG (Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas)

CEO da KEEPTALENT Portugal

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