Desde a pandemia, muitos líderes tiveram de se adaptar a novos contextos e mudanças, adoptando métodos de trabalho mais ágeis para facilitar esta transição-.

Estes líderes, muitas vezes ainda agarrados a paradigmas tradicionais de hierarquia e comando, tiveram agora que fomentar uma cultura de experimentação e aprendizagem nas suas organizações e promover um ambiente de plena segurança psicológica no trabalho, onde os funcionários podem cometer erros sem medo de serem culpados.

Mais que isso, os líderes tiveram de conferir mais autonomia a cada colaborador nas suas tarefas, considerando que os paradigmas de controle e presencialismo se esfumaram.
Esses pontos alimentam a chamada Liderança Ágil: um estilo de gestão caracterizado pela capacidade de ser calmo diante da pressão, estando aberto à inovação, encontrando maneiras de inspirar, envolver os funcionários e manter as equipes no caminho certo. Ao priorizar as pessoas sobre os processos, focando nas necessidades do cliente e vendo a mudança como agregando valor, organizações e líderes podem sobreviver e até prosperar em tempos de crise e mudança, tal como nos indica o manifesto ágil e os seus valores.

Líderes ágeis são líderes mais humanos, democráticos e inclusivos. Eles dão a suas equipas o “porquê” e confiam neles para descobrir e entregar o “como”. Neste processo, todas as equipas gozam de plena autonomia para se auto organizar, e desta forma, criar e fazer trabalho.

Ainda que os benefícios da liderança ágil sejam visíveis, e conhecidos os resultados das empresas que usam este tipo de gestão, que estilo de liderança é este, em que o poder está mais concentrado nas equipas, do que no líder, e onde a equipa é que tem a palavra final?

Para explicar este modelo de liderança, é importante termos em conta as características da liderança ágil.

1- Capacidade de Cocriar

Cabe ao líder co-criar uma visão e direção comum junto das equipas, cujo foco é a
entrega de valor para os clientes e para a empresa.

2- Facilitar – Líder Servidor

O trabalho do Líder Ágil é facilitar um ambiente onde pessoas e equipas cresçam, trabalhem juntas, conquistem confiança e façam coisas excepcionais para os clientes. Dizer às pessoas quais tarefas que elas precisam fazer e as decisões que precisam tomar não ajuda neste ambiente em mudança para tirar o melhor proveito das capacidades de
cada membro da equipa. Muitas vezes, esta atitude mata sua capacidade intelectual, sua criatividade e sinergias. Os líderes ágeis devem promover e facilitar um ambiente de trabalho no qual os funcionários prosperem e permitam que eles se orgulhem de seu trabalho.

3- Experimentação

Os líderes ágeis apoiam suas equipas e orientam-nas na execução de práticas de experimentação, ao longo dos trabalhos. A sua missão mais importante é ser o guardião desse ambiente seguro onde as equipas podem aprender com os erros.

4- Liderar a cultura

Os líderes ágeis têm também como missão liderar a cultura para criar um ambiente inspirador para suas equipas. Uma cultura saudável é essencial para o sucesso de equipas autónomas. A cultura é o oxigénio da equipa.

Ainda que este estilo de liderança possa parecer demasiado arrojado dentro de algumas organizações mais conservadoras, a verdade é que pequenas sementes foram deixadas ao longo dos últimos anos, com a grande necessidade de nos adaptarmos a novas realidades, e desta forma, continuarmos a crescer institucionalmente, satisfazendo o cliente com entrega de serviços e produtos cuja patamar de qualidade deve estar além da nossa concorrência.

A par desta qualidade é necessário ter em consideração a importância crescente no factor de sustentabilidade nas relações laborais, que se traduz no balanceamento entre as necessidades macro da organização e as necessidades individuais de cada colaborador.

Cabe agora ao líder fazer a ponte entre os dois lados, ajudando a construir caminhos que permitam que as equipas ganhem asas, e que as organizações cresçam nesta nova realidade complexa, onde vários estilos de liderança se misturam, mas onde a autonomia, propósito e flexibilidade de tempo são temas fundamentais para os novos estilos de gestão; e onde sem dúvida a liderança ágil ganham contornos e se torna uma mais valia.

Lúcia Palma

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