Lar Doce Trabalho

Glaucia Donda, 7 de Abril 2020

Em circunstância real do surto de Covid-19, é facto que a proximidade com as pessoas deve reduzir bem como a mobilidade para garantir a melhor prevenção ao estado de saúde familiar. É elementar cumprir as recomendações dadas por autoridades competentes e consciencializar os mais próximos a efectivamente agir com prontidão, solidariedade e sobretudo, obediência.

Assim, o RH de Angola bem como o de todo o Mundo, por estar atento a esta situação, analisou a questão da produtividade face a este surto que retém a maior parte das pessoas em quarentena voluntária e partindo deste pressuposto, aborda-se o Teletrabalho como a alternativa eficaz para manter a melhor produtividade possível em contexto de calamidade.

Neste artigo, vamos analisar ferramentas e atitudes que poderão servir de apoio para os colaboradores e clientes de forma a prover uma continuidade do trabalho e a inovar nas várias formas de trabalhar com resiliência, comprometimento e amor, perspectivando o futuro pós-surto.

Para a concretização do regime de trabalho em casa é necessário apenas que haja entendimento escrito entre ambas as partes em que constam: condições materiais, físicas e de segurança; horário laboral; o direito a um seguro de acidente de trabalho; e permissão para visitas do supervisor no horário de expediente. No entanto, é de salientar dois pontos:

  • Este regime de Teletrabalho não prevê horas extras nem subsídio de transporte;
  • O empregador pode a qualquer momento terminar com a relação de teletrabalho para impor a presença diária do colaborador, sem discussão prévia, respeitando apenas um número de dias suficiente para que o colaborador se reorganize.

As ferramentas tecnológicas são as melhores aliadas para o Teletrabalho, na medida em que um computador com acesso à internet garante-lhe as condições básicas de trabalho, podendo chamá-lo de Gabinete Virtual, mas o que fazer com elas?

Existem software’s que permitem fazer uma ligação de um portátil num espaço limitado, ou seja em sua casa, ao seu computador do escritório e a partir daí ter acesso a toda informação através da sua palavra-passe, tal como uma nuvem. Desde que haja segurança no servidor das plataformas da sua instituição é perfeitamente aconselhável e produtivo;

Para questões de segurança, mudar a palavra de acesso para códigos difíceis de decorar com caracteres entre letras, frases e números a cada semana e em caso de dúvidas procurar apoio via telemóvel do seu informático.

E o que fazer para manter a comunicação com a sua equipa? Reuniões com clientes? Reuniões semanais, orientações para as tarefas diárias, feedback’s, como dar?

O isolamento a que este surto nos convida, motiva-nos a conhecer melhor as tecnologias de informação e comunicação que hoje são de facto as tecnologias do próximo mais próximo pois têm resposta para os desafios acima questionados. Os e-mails podem ser trocados naturalmente a partir de casa, no computador ou telemóvel. As reuniões podem e devem ser feitas pelo WhatsApp, preferencialmente por mensagens de texto, no entanto esta ferramenta já é tão completa que permite manter chamadas telefónicas em grupo, portanto, numa hora marcada, todos poderão conversar em grupo; Além do Whatsapp, o Skype e o Microsoft Team’s também dão este apoio tanto por voz como por vídeo onde pode dirigir os seus Web Meeeting´s com partilha de ecrã.

Para a partilha e edição de documentos, as TIC´s mimam o colaborador com a possibilidade de criar uma pasta partilhada, onde determinados computadores poderão ter acesso, isto permite que documentos não sejam enviados por outros meios e podem ser editados sem que seja necessário enviar constantemente até que esteja alinhado com os objectivos. Mais ainda, pode-se criar um calendário partilhado, lista de contactos partilhados e lista de tarefas e notas partilhadas. Outra dica interessante é que há aplicativos (pagos) que permitem a edição de documentos online, isto é, enquanto um teletrabalhador está a escrever no Microsoft Office (Word, Excel, PowerPoint) outro teletrabalhador pode acompanhar, como se estivessem juntos à mesma mesa. Incrível não é?!

O Teletrabalho apresenta duas obrigatoriedades para ser funcional: Desburocratizar e Flexibilizar e é por estes motivos que muitos colaboradores preferem trabalhar em casa, na medida que com competência e material necessário é possível produzir muito bem.

Porém, o home office não deve ser feito levianamente. Em contextos naturais, o RH deve fornecer uma formação ao colaborador para prepará-lo ao novo estilo de vida, e a selecção destes colaboradores é feita como num processo de recrutamento. Mais se acrescenta que por uma questão de experiência, aconselha-se a seleccionar colaboradores seniores (com mais 5 anos de trabalho) pelo facto de não precisarem de supervisão constante. Em caso de surto, não é possível fazer triagem nem mesmo organizar uma formação mas é possível criar acções de consciencialização e promover o apoio psicológico necessário a cada colaborador para evitar dois fenómenos: isolamento ou distracção dos objectivos.

Os benefícios para a empresa é que promove a produção sem muitos gastos em mobiliários e utilitários, no entanto para o teletrabalhador a maior vantagem é estar no seu habitat natural, com roupas relaxantes, com os intervalos que entender, poder acompanhar de perto o crescimento dos seus filhos e gerir de forma mais independente a sua vida e os seus sonhos, a clarividência do Lar Doce Trabalho.

Este surto, embora assustador, terá o seu momento de descanso, no entanto, abriu as portas para que Angola reflicta no trabalho remoto como uma óptima ferramenta de Gestão de Recursos Humanos, na medida em que vários países de outros extremos do Mundo usam-no há vários anos com casos de eficiência elevadíssimos. Riscos, fracassos, decepções, poderão surgir, mas sucesso, criatividade, produtividade e equilíbrio da vida familiar e trabalho, isto sem dúvidas, mas sem a mais pequena dúvida, irá acontecer!

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