EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE

Hélia Pimentel, 03-08-2021

Muito se fala sobre o empreendedorismo, porém pouco se fala sobre as dificuldades de estar neste lado.

Quando entramos para as redes sociais, encontramos várias publicações de pessoas que quase “obrigam” as pessoas a empreenderem e deixarem os seus empregos para embarcarem num mundo desconhecido que para poucos é viável.

Não que reprove os seus comportamentos, necessários para quem realmente precisa sair da sua zona de conforto e só está à espera de uma mensagem motivacional. Contudo, é necessário mostrar os espinhos destas rosas (que não são poucos). É necessário “desromantizar” o empreendedorismo e mostrar o que realmente acontece quando se decide assumir um negócio.

O mais fácil no empreendedorismo é ter a ideia de negócio, porém o mais difícil é executá-la. Para quem tem um emprego estável, tem tempo para organizar-se e fazer um Plano de Negócio onde deve constar as respostas das seguintes perguntas: “o quê vender?”; “para quem vender?”; “como fornecer o produto/serviço?”, “onde vender?” e “quanto vender?”.

Tendo estas questões respondidas, metade do processo já está feito, mas não termina por aí…

Sim, tem mais… tem plano financeiro, plano de marketing, planeamento fiscal e tabela de impostos a pagar na actividade a desenvolver, sem esquecer que quando se decide constituir uma empresa, deve-se tomar em conta as despesas com emolumentos e capital social para a abertura da conta bancária da empresa.

Com a actual dinâmica da sociedade, as instituições públicas têm se mostrado flexíveis para o acolhimento dos empreendedores, implementando processos menos burocráticos e taxas atrativas.

Para quem nem se quer tem um emprego e precisa de sobreviver, “qualquer” coisa que traga renda é bem-vindo e por isso, muitos empreendedores têm recorrido ao modelo de compra e revenda de produtos vendidos na praça do Kikolo, na praça das mulheres, ASA Branca, São Paulo, Gajageiras, entre outras onde se pode encontrar artigos com preços baixos e serem revendidos nas redes sociais aplicando um preço sem qualquer metodologia financeira. Não se espera tal destreza, porém quando os mesmos decidem transformar o seu negócio em empresas, começam a sentir a diferença e o peso da responsabilidade, pois o valor a receber já terá outros destinos (salários, renda, energia, internet, entre outros).

Quando o projecto deixa de ser só do empreendedor, há que se ter consciência da liderança que acaba de surgir sobre a equipa. Ouvir os colaboradores, ouvir os clientes e os fornecedores, é uma tarefa complexa, mas necessária para que o negócio consiga fluir de forma saudável e que os colaboradores se sintam parte o negócio.

O grande desafio é incluir os empreendedores que estão no mercado informal para o formal, contudo acredita-se que a falta de conhecimento sobre os benefícios de se estar numa economia formal, afasta muitos empreendedores de se organizarem legalmente.

Falando de dificuldades, nota-se a falta de domínio para a determinação de preço do produto/serviço a prestar, muito pela ausência dos planos acima mencionados, mas também pelo acesso de informação sobre o assunto.

A falta de recursos financeiros, humanos e tempo, dificultam o empreendedor quando pensa em criar o seu negócio.

A maioria dos países têm mais mulheres a empreender e é certo de que uma mulher no mundo dos negócios tem mais desafios que os homens, por ser encarada como frágil para conseguir aguentar os desafios e dificuldades que surgem na actividade comercial.

Foi nesta senda que a Associação Internacional de Mulheres Empreendedoras Europa-África foi fundada em 2015, na Bélgica, com o objectivo de promover, empoderar projectos de mulheres empreendedoras nos Estados da União Europeia e países africanos.

Actividades como lives, workshops, formações, palestras congressos e seminários são desenvolvidas em vários países, sendo que em Angola também tem a sua representação.

Todas as quartas-feiras, às 20h00, acontece uma mesa redonda entre mulheres onde há partilha de conhecimento e experiência de empreendedoras angolanas, portuguesas, moçambicanas, cabo-verdianas e brasileiras.

Todos os interessados são convidados a participar, especialmente os homens que são os parceiros necessários neste caminho difícil, porém possível com a união.

Com isso, é nossa pretensão ver mais pessoas a entrarem para o empreendedorismo de forma consciente e não impulsiva.

Por: Hélia Pimentel

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