A evolução exige que tenhamos a noção do que quereremos fazer e que modelos de referência temos ou se queremos nós mesmos tornar-nos referência, pela conduta e comportamento equilibrado e justo. Talvez seja por esse motivo que saliento a importância do percurso a fazer e de que o itinerário pode ser longo, complexo, com necessidade de vários ajustes, de acelerações, de abrandamentos de ritmo, de definição de metas e da sua assumpção, com atitude e uma estratégia clara, quando se trata de algo tão importante como, a educação e desenvolvimento pessoal, económico e social.

Importa igualmente, manter presentes indicadores de desempenho, fixar objectivos, identificar os critérios e os instrumentos de monitorização possíveis e adaptá-los às circunstâncias e às necessidades.  Os caminhos fazem-se caminhando e, às vezes, de forma aparentemente lenta, mas em relação às pessoas, à sua educação, formação, qualificação, o caminho pode, de facto, ser longo. 

Quando penso nos Recursos Humanos ocorre-me destacar a importância das necessidades de Recursos, talentos e competências no país, pois parece-me que precisamos de ter consciência de que é para todos nós.

Os desafios para o nosso país, nos mais diversos sectores, são incomensuráveis, logo é necessário um grande investimento para atrair e recrutar mais recursos, estejam onde estiverem, já que poderão contribuir para melhorar o desempenho das empresas, elevando os padrões de exigência por via do conhecimento, de outras experiências e boas práticas globais.  É sobre essa necessidade de uma imensidão de recursos humanos, de pessoas, bem como sobre a estratégia que permita tornar a nação sustentável e desenvolvida com estes recursos fortes, robustos de conhecimento técnico e comportamental, que me parece relevante focar atenção neste contexto, reafirmando que precisamos de mais pessoas educadas  

Em educação e ciência, os caminhos são longos, infelizmente superiores ao ciclo anual de prestação de contas e ao ciclo legislativo de ida às urnas. Competitividade, conhecimento e qualidade académica são activos intangíveis que uma Nação cria através de um longo processo de acumulação. Não se adquirem ao virar da esquina. A nossa independência económica não será sustentável sem que os angolanos detenham, em áreas críticas, conhecimento e know-how endógeno. Para criar riqueza nacional é necessário que à riqueza do solo e do subsolo, das florestas e do mar, às potencialidades agrícolas, zootécnicas, dos cursos de água e da atmosfera criemos processos detidos e controlados por angolanos para gerar, preservar e ampliar conhecimento e informação acerca dos nossos abundantes recursos. Temos de lhes adicionar conhecimento nacional, isto é, temos de formar gerações, centenas de milhar, milhões talvez, nas ciências exactas e nas sociais que dominem os mais complexos e avançados modelos e teorias para colocá-los ao serviço de todos e da criação de valor, de riqueza distribuível. Só este acervo humano e intelectual nos permitirá deixar de ser um país que não produz e “compra feito”. Só com este acervo humano seremos um país rico. Sem ele, seremos apenas um país, muitas vezes, designado “promissor”, de um futuro que não sabemos quando chegará.

Há modelos comprovados de gestão de conhecimento, de ciência e de tecnologia que devemos conhecer e, adoptar o mais adequado ao nosso estádio de desenvolvimento. O Estado deve adoptar políticas públicas e de incentivos para captar os mais talentosos e formá-los nas melhores Universidades. Estudemos bem o que, nesta matéria, fizeram o Irão, a China, Singapura e surpreendamo-nos com a comparação entre o que eram estes países antes de enviarem os seus mais dotados estudantes para as melhores Universidades do Mundo, antes de tornarem a educação uma prioridade com uma estratégia bem desenvolvida, consequente e consistentemente prosseguida e o que são hoje nos campos da educação, da ciência e da tecnologia! Há trabalho muito urgente para ser feito a montante. A melhoria do ensino primário deveria ser proclamada tarefa de “salvação nacional” e ser fixado um objectivo de elevação da qualidade para os próximos 10 a 15 anos. Sem uma grande ambição nacional arrojada, mas realista, comprometemos, o futuro. É necessária vontade política, amplo consenso nacional em torno deste objectivo, recursos financeiros abundantes e competências organizacionais e de gestão. E muito trabalho. Este é um trabalho do Estado, mas é também um trabalho de todos que queremos ser os pensadores desta “Comunidade de Recursos Humanos”, todos devemos assumir responsabilidades neste sentido.

3 thoughts on “Educar: uma tarefa de salvação”

  1. Excelente abordagem prezada Noelma D`Abreu,

    Há de facto um caminho longo que todos devemos percorrer em prol da educação e do processo de ensino local.

    Esta, é uma tarefa de todos nós, e, claro, conforme frisado no corpo do texto “É necessária vontade política, amplo consenso nacional em torno deste objectivo”.

    Vamos assumir essa responsabilidade e juntos podemos fazer uma Angola melhor.

  2. Excelente abordagem

    O grande problema está na falta de comprometimento com os gerais deveres e obrigações, de alguns líderes Angolanos. A escolha do homem certo para o lugar certo, tem sido uma tarefa realizada de olhos fechados.

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