São cada vez mais os CEOs que procuram criar ou reforçar um sentido de propósito nas suas organizações que sirva para inspirar um sentimento de pertença e de compromisso partilhado, individual e coletivamente, entre os seus membros. Esta ideia terá, seguramente, uma componente de mais uma moda de gestão, mas não deixa de fazer sentido. Limitarmo-nos a partir uma pedra ou saber que estamos a construir a “catedral de Notre Dame”, faz-nos ser pessoas diferentes e também trabalhar de forma completamente diferente.

Um estudo recente da PWC revela que 92% dos CEOs que responderam, defendem que ” promover comportamentos e princípios éticos que vão além da mera “compliance” é importante para o sucesso de suas organizações”, seja porque torna as equipas mais focadas e comprometidas, seja porque 47% dos consumidores dizem preferir as marcas de empresas com “propósito”.

Tempos houve que se achava que criando e comunicando a visão, missão e valores declarados era suficiente. Hoje as organizações concluíram que ter um propósito individual e coletivo claro é bem mais importante que saber de cor a missão e também que isso exige um investimento permanente. Por isso, algumas recrutaram ou nomearam o seu “CPO – Chief Purpose Officer”. Outras criaram processos para que cada colaborador se torne num CPO e avaliam se e como essas práticas estão a ser executadas.

Este tema é hoje particularmente relevante, porque se sabe que a maioria dos “millennials” (87% segundo a PWC) é fortemente “purpose driven” e acreditam que o sucesso duma empresa não deve ser medido em apenas em termos financeiros. Tipicamente, quando estes jovens entram nas empresas pensam essencialmente nas suas contribuições individuais, sendo importante criar condições para que percebam que as realizações verdadeiramente importantes são fruto do trabalho em conjunto com outras pessoas. Um sentido de propósito partilhado pode ajudar neste objetivo.

Criar ou reforçar um sentido de propósito numa empresa passa, no essencial, por duas ações. Primeira, uma estratégia de comunicação planeada, continuada e que comunique, internamente e também externamente, com clareza a razão de existir da organização e como isso se materializa no dia a dia. Segunda, uma prática de todos os líderes perfeitamente alinhada e consistente com o propósito. As pessoas fazem o que os líderes fazem e não o que eles dizem. O anteriormente referido relatório refere que apenas 29% dos colaboradores dizem que os seus chefes se preocupam com o alinhamento e compromisso com um propósito compartilhado. Tem trabalhado o propósito da sua organização?

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