Carta aos líderes de Recursos Humanos

Naiara Machado, 8 de Dezembro 2020

Prezados líderes de Capital Humano, Recursos Humanos, Talentos humanos, engenheiros de pessoas ou qualquer outro nome que possa remeter a nós, profissionais que cuidam e desenvolvem as pessoas.

Nos últimos meses a humanidade tem encarado constantes mudanças na vida cotidiana que estão a impactar todos os papéis sociais que vivemos, obrigando-nos, por questão de sobrevivência a nos adaptarmos, readaptarmos e adaptarmos novamente, sendo a “arte de ser camaleão” condição “sine qua non” de sobrevivência.

Nunca se falou tanto em inteligência emocional, em adaptação, em síndrome de Burnout, esgotamento mental, em trabalho remoto, novo normal, novos desafios, em retenção de talentos em tempos de Covid, em gestão de equipas remotos e não só, nunca tivemos acesso a tanto conteúdo gratuito disponível em abundância como em tempos de Covid, o que nos trás por um lado capacidade de evolução e, por outro, pelo excesso de oferta, dúvidas sobre qualidade, passos a seguir etc.

Estamos a enfrentar um grande desafio imposto por toda essa condicionante, tornaram-nos os “super-heróis do momento”. 

E agora? Como vamos gerir os nossos recursos remotamente? Chamem o RH para resolver essa situação!

Como vamos estabelecer políticas de entrosamento (relacionamento) das equipas à distância? Chamem o RH para resolver essa situação!

E agora? Chamem o RH!

E nós, até gostamos desse novo patamar que nos elevaram e vimos a oportunidade de mostrar a nossa relevância no processo de gestão estratégica da empresa, bem como a importância da existência de políticas urgentes e emergentes. Nós finalmente ganhámos uma cadeira estratégica na mesa das decisões e ciclos de melhoria e evolução contínua. E sim, devemos agarrar essa oportunidade com “unhas e dentes” e desenvolver um belíssimo trabalho. “É O NOSSO MOMENTO, VAMOS JUNTOS NESSA SUPER-HERÓIS DO RH”.

Com isso, nos dedicamos integralmente para que todo o capital humano das organizações fossem impactados por acções reguladoras e escapassem do esgotamento mental e síndromes mediante a elevada capacidade e necessidade de manter a produção em alta durante o trabalho remoto, onde deixámos de poder “fechar a loja”, uma vez que ela está dentro da nossa casa, deixámos de ter limites de horários, pois colocámo-nos à disposição a tempo integral a fim de cumprir a missão de super-heróis que nos foi incumbida.

Criámos todas as políticas de contenção de esgotamento entre outras, e muita das vezes, esquecemos de aplicá-las a nós mesmos, líderes de pessoas. Devemos ligar nosso alerta e perceber que estamos inseridos neste contexto intitulado “tempos de Covid”, e precisamos impor limites a nós mesmos e chegar à conclusão que não somos super-heróis de verdade, e assim, como todos os outros, devemos estar submetidos às medidas de contenção de esgotamento que estamos a criar para os demais. Ou seja, fazemos parte dos “demais”.

Não se exclua das políticas de contenção, você faz parte do capital humano da empresa na qual está inserido, bem como é um Ser Humano e tem limites mentais e físicos que devem ser respeitados. Não se culpe se estiver um pouco cansado, todos nós passamos por isso, mas vamos continuar e vencer esse desafio de mundo que nos foi imposto e seremos reconhecidos por isso.

Gostaria de pedir uma salva de palmas a todos nós, profissionais de Recursos Humanos por estarmos a desenvolver esse lindo trabalho. JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!

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