(Capacidade de alterar as suas peles de acordo com a cor do ambiente em que estejam e olhos que se movem de forma independente)

De facto, historicamente, estamos passando por constantes transformações na relação homem x trabalho. A substituição do capital humano por máquinas, processos automatizados, aplicativos, inteligência artificial e tantos outros facilitadores que cada vez mais rapidamente invadem e modificam a cultura do trabalho é uma realidade e não um filme de ficção científica. As empresas exponenciais transformam-se em grandes potências de estruturas magras, demonstrando que a robustez de infraestrutura e imobilizados são hoje conceitos ultrapassados. Para entender esse conceito actualmente, basta olharmos para o nosso actual dispositivo de maior importância de um ser humano, o celular, aquele mesmo que nos acompanha 24/24, e é o primeiro “amigo” que desejamos bom dia. Como imaginar que, hà leves anos atrás, a maior rede de quartos para hóspedes do mundo, não seria dona de nenhum hotel (Airbnb)?, como o meu avô, já falecido há cerca de 20 anos, iria entender, se acordasse hoje, que a maior empresa do mundo que realiza transporte de passageiros, que possui a maior frota de carros do mundo ao seu serviço não é dona de nenhum carro (uber)?. Empresas conectadas, exponenciais e colaborativas, que se adaptam rapidamente às necessidades populacionais e trabalham com rotinas de ganha x ganha, implementando inovações tecnológicas e que estão invadindo o mercado e fazendo transformações agressivas na forma de condução dos negócios e constante transformação de conceitos. São tantas as start ups trabalhando para que isso aconteça que penso que já cruzamos uma linha sem retorno.  E agora? O que fazemos para atenuar os impactos negativos nos seres humanos?

Existe uma tendência que as mudanças aconteçam em cadência de velocidade e alternância de conceitos constantes, o que nos obriga e estabelece novas modalidades de pensamento, de trabalho e negócios, ou seja, uma conduta que um antigo cantor do Brasil chamado Raul Seixas diria “Eu prefiro ser essa Metamorfose Ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Nesse novo contexto e rumo que a humanidade está a tomar, obriga-nos a ter uma força de resposta tão rápida como a imposição do mercado e das novas tendências. 

Isso significa que será exigido aos profissionais do presente, e não mais do futuro, habilidades de “resiliência evolutiva adaptativa”, entre outras habilidades, gosto de o chamar de perfil do camaleão. Ou seja, desenvolver a capacidade adaptativa rápida, evolutiva, readaptável e sequencial, não será mais adaptar-se rapidamente, será mudar e adaptar-se e readaptar-se constantemente. Aprender, desaprender e reaprender em curtos intervalos de tempo. 

Hoje, vivemos num momento da humanidade, que a mudança rápida passou a ser uma questão de sobrevivência e não somente uma habilidade de desenvolvimento de capital humano. Temos que mudar, adaptarmo-nos rapidamente para sobreviver, tanto biologicamente quanto economicamente. Essa necessidade impôs-nos um ritmo de transformação agressiva na qual a humanidade não está habituada, e já há efeitos colaterais aparentes disso. Todas as ocorrências mundiais somadas aos impactos da tecnologia e a substituição do capital humano tendência para um inevitável colapso do actual sistema de empregabilidade e metodologias de negócios. 

É preciso que todos nós, profissionais de Recursos Humanos, estejamos focados no intuito de criar soluções rápidas, inovações, investimento em desenvolvimento adaptativo para construir um agrupamento de elite capaz de nos ajudar a evitar esse colapso. 

Neste contexto, na minha óptica, teremos o capital humano fragmentado em três grandes grupos, os camaleões, que serão os sobreviventes dos impactos da mudança, as pedras, que serão resistentes e não conseguirão propriedade e essência para alcançar a necessidade do mercado e os híbridos (Metade Camelão, Metade pedra).  

Nesse contexto os profissionais de Capital Humano ganham um protagonismo nunca antes exigido e uma responsabilidade de ser um Militante actuante no processo de apoio no desenvolvimento e processo adaptativo das pessoas, investindo pesado nos grupamentos menos favorecidos, ou seja, os híbridos e as pedras. Tão importante quanto não desistir das pessoas é saber transformar todos os camaleões, que sobreviverão ás constantes metamorfoses, em soldados da mudança, ensinando-os a desdobrar os impactos e processos adaptativos aos híbridos e pedras, formando assim um verdadeiro exército da luta pelas pessoas, com o objectivo de ajudarmos a humanidade a conseguiram alcançar as novas linhas para sobreviver e criar soluções para mitigar esta “tragédia anunciada”. 

Seja camaleão, óbvio? Não, seja mais que isso, seja investidor de pessoas, crie camaleões!

One thought on “A Arte de Ser Camaleão – Parte 1”

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